Feeds:
Posts
Comentários

Archive for the ‘Religião e a equação Bolsonaro!’ Category

Nunca tive problemas em responder a perguntas estúpidas. Portanto responderei novamente a uma das perguntas mais frequentes que aparecem neste blog e que, sempre me fazem que é: “o que você tem contra a religião?”

Normalmente respondo que seria imoral não me posicionar contra um sistema de ficção que historicamente sempre serviu para controlar e punir quem não coadunava com ele. A igreja, a religião e seus representantes empossados por eles mesmos, vez que deus nunca deu as caras nem para um cafezinho, tem feito um excelente trabalho ao longo dos séculos no sentido de privilegiar e aumentar seu ganha pão bem como manter as pessoas “em seus devidos lugares”.

Só isso já me bastaria repudiar o dogma religioso, mas poderia responder também que sou contra a religião porque não suporto hipocrisia descarada, ignorância premeditada, doutrinação covarde, corrupção da mente e do potencial de jovens e o envenenamento da sociedade com preconceito e ódio. De fato, se houvesse um sinônimo para religião poderíamos facilmente utilizar a palavra repressão. Dada a oportunidade, não tenha dúvida de que ela controlaria todos os aspectos da sua vida e ainda o faria se sentir culpado por isso.

Quando ouço ou leio essa pergunta imediatamente penso: mas será possível que quem fez essa pergunta leu a Bíblia? Torço para que não tenha lido, pois pelo menos há uma justificativa. Ao ler a Bíblia se percebe de cara que qualquer matança pode ser justificada. Se você gosta de sangue, tripas, vísceras, surtos psicóticos, estupro, tortura e escravidão; a Bíblia de fato é um bom livro… Aliás… Será que é por isso que ela é também chamada de “o bom livro”?

Além disso, tenho o defeito de formalmente simpatizar com pessoas que,sejam capazes de justificar suas crenças e que pelo menos, preguem o que fazem, ao contrário dos religiosos que nunca fazem o que pregam. A religião possui a característica de remeter o sujeito imediatamente para a terra da demagogia, além de ter o poder quase automático de reduzir o seu coeficiente de inteligência. Conheço muitos religiosos, mas não conheço um só que exerça aquilo que entoa aos quatro cantos para quem quiser ouvir e até para quem não quiser ouvir, o que é pior.

            Como disse antes, não me incomodo em responder a perguntas tolas, mas isso não suprime o fato de ainda me espantar com elas. É difícil acreditar que quem me pergunta sobre o porquê de minha apostasia já não tenha tido sua pergunta respondida de forma imediata a cada declaração como a emitida pelo deputado Jair Bolsonaro recentemente ou após assistir a um dos inúmeros programas evangélicos transmitidos na TV.

Na infeliz entrevista do Deputado Federal em comento, o mesmo destila com sua habitual ignorância, seus valores preconceituosos, anacrônicos e acima de tudo, imorais. O curioso é que, acredita de forma genuína, que esses mesmos valores são o que existe de mais moral na face da terra.

            É claro que este senhor jamais se preocupou em saber o que é uma questão moral, bem como nunca verificou a origem desses conceitos que apregoa. No entanto, alguém que possui o mínimo interesse em compreender as mazelas que a herança religiosa deixou para as relações hodiernas ou já se deu ao trabalho de verificar qual é a manjedoura desse pensamento desregulado, SABE o que norteou o parlamentar. É isso que tenho contra a religião!

            Sim, isso mesmo. Seus valores morais foram retirados do “Livro Sagrado”. Então, por favor não se espantem. Está tudo lá. Palavra por palavra. Podem conferir.

            Sua agressividade homofóbica e preconceituosa é comezinha em Levítico e Deuteronômio, é só abrir a Bíblia. Aliás, é bom deixar claro que, os cristãos que adoram dizer que a Bíblia é o livro mais vendido do mundo, normalmente se esquecem de contar, no entanto, que ele está longe de ser o mais lido. Isso é fato, se a Bíblia fosse lida propriamente, com certeza não haveria tantos cristãos.

            No entanto, é claro que devemos resguardar o direito legal de culto e adoração ao amigo imaginário de cada um. O problema é quando um deputado leva essa crença e a aplica dentro do plenário.

Realmente penso que os padres e pastores praticam um desserviço a humanidade quando espalham essa bobagem que é a crença dissociada de conhecimento válido e dão um condão de virtude à fé quando ela não passa de um mero recibo de futilidade e de suspensão deliberada da capacidade crítica. Não coaduno com pessoas cujo meio de vida é fazer com que outras pessoas deixem de lado o seu próprio entendimento de realidade e acreditem naquilo em que sua religião ensina, não por conta de algo que realmente se pode explicar, mas por fé,  afirmando ainda, que senão puderem se convencer por elas mesmas, então é justamente isso que prova que o dogma é verdadeiro. Eu acho que isso é lamentável, mas reconheço que esses líderes religiosos não foram eleitos pela população em um regime democrático que visa atender anseios secularistas. Em outras palavras, eles não me representam e nem aos interesses do meu país. Representam a eles mesmos, apesar de acreditar ou fingir acreditar que representam a “algo maior”. Sempre fico na dúvida se seria deus ou um elefante…

            Sarcasmo a parte, ainda assim, tal entendimento é um direito legítimo e deve ser protegido vez que a constituição o faz. No entanto, essa mesma constituição foi redigida resguardando um estado laico. Quando um parlamentar coloca suas crenças religiosas como norte para sua atuação pública a coisa começa a ficar perigosa, anacrônica…boba.

            SABEMOS que, ao longo dos tempos a quando religião teve o poder em suas mãos o que se viu foi tirania, e o pior, tirania justificada, mesmo que seja por livros mágicos. Será que já esquecemos da Inquisição, do reinado dos Borgias, dos sistemas religiosos fundamentalistas islâmicos, da partição que geram mortandade até hoje na Índia e Paquistão, países esses que possuem armamento nuclear. Lembremos que as escrituras que autorizaram e desculparam aqueles regimes e atos são as mesmas aplicadas hoje. Tim-tim-por-tim-tim.

            Acredite, em todas as oportunidades em que a religião pôde controlar a vida e o pensamento dos outros ela o fez. Por isso mesmo, é que a preservação da separação entre estado e igreja é tão importante.            Essa separação é a porta que impede a bancada evangélica por exemplo, de impingir suas crenças medievais ao resto da populacão.

            O deputado Bolsonaro, nada mais é do que o produto dessa crença, que possui valores tão deturpados. É nessa “fé” que ele busca munição para atacar homossexuais e o debate sobre o aborto, para defender o retorno de sistemas ditatoriais quando tantos foram assassinados. Tudo isso calcado em um sistema moral claramente retirado da Bíblia. O mais lamentável é que faz isso de maneira néscia, grotesca…mas coerente com o que lhe foi ensinado, provavelmente desde sua infância; e foi entregue direto do altar.

            Sério, será que um deputado federal em um país com tantos problemas na área de educação e saúde não tem mais nada para fazer além de se preocupar em lutar contra o casamento civil entre pessoas do mesmo sexo? Aliás, verdade seja dita: que direito tem essas pessoas que ficam do alto do púlpito e aquelas sentadas com a bunda no sofá os assistindo, de darem palpite sobre os projetos de vida dos outros.

            Destarte, cabe a população repudiar essas declarações preconceituosas e cuidar para que nas próximas eleições tenhamos representantes mais afetos a sociedade secular, sociedade essa que, a muito custo, tem lutado para reconhecer que, quando se ama alguém, não se ama porque o outro é homem ou mulher, mas sim porque o outro é um ser humano.

            É vital compreendermos, no entanto, a raiz desse pensamento. Como surgem esses “monstrinhos”? Qual é a conseqüência para sociedade quando um de seus representantes emite declarações tão preconceituosas? Qual é a mensagem em termos de respaldo que essas declarações geram para grupos fundamentalistas religiosos e para grupos políticos extremistas?

Compreendido isso, lembremos por um momento de Nelson Rodrigues quando afirmava que “não existem moralistas, só falsos moralistas”. Desconfiem, pois, dessas pessoas, que pregam valores absolutos, inflexíveis, imutáveis, maniqueístas. Levando em consideração isso, talvez sejamos capazes de achar a resposta para essa equação.

            Termino parafraseando o neurocientista Americano Sam Harris que afirma que a política e o preconceito são fontes pródigas de mal e de exclusão social entre os seres humanos, mas que a religião ainda é pior, por que além de fazer isso dividindo as pessoas entre os “de dentro e os de fora” ainda promete, na esteira desse comportamento, punição ou recompensa eterna.

                                               Humberto P. Charles

Anúncios

Read Full Post »

%d blogueiros gostam disto: